Ideário

A gente tem valor, cara
Ponto de Cultura Ideário
Maceió, AL

Por Fábio Munhoz

FOTO 5 - Ciranda, Mirante CulturalAo percorrermos a história das transformações midiáticas, nos damos conta de que antes de o homem dispor da escrita, a cultura em boa parte era transmitida oralmente. O grosso da reprodução cultural dos primeiros grupos sociais estava sujeita a modificações devidas aos mais diferentes fatores que agiam sobre quem ditava a tradição.

Já com o advento da escrita, há o surgimento das verdades singulares que se objetivam na forma de leis e escrituras as quais, por sua vez, são legitimadas pelo caráter litúrgico que o distanciamento entre a maioria do grupo e a habilidade de escrever e ler proporciona. Se por um lado surge a possibilidade de se registrar os conhecimentos e as tradições, por outro surge o monopólio daqueles que detêm o saber desta tecnologia midiática.

O primeiro passo para romper com este monopólio surge com a invenção de Gutenberg. A tecnologia da imprensa possibilita a reunião de diferentes tipos de conhecimentos e age como elemento de transformação social, provocando mudanças na forma de produzir, expressar, apresentar, perceber, fazer circular e recuperar informações. Mais do que isso, é com a disseminação dos livros que surgem os questionamentos, críticas, comparações que fazem com que as pessoas e as sociedades se transformem.

Outro passo é dado com a Revolução Eletrônica e o surgimento e grande disseminação das chamadas mídias de massa: rádio, cinema, televisão. São pertinentes as críticas que analisam estas mídias como instrumentos de manipulação das elites econômicas. Porém, é também por entre as produções dessa indústria cultural que surgem, aqui e acolá, olhares diferentes, perspectivas contraditórias, mundos inexplorados. Há o início de uma multiplicação de pontos de vista, a história não pode mais ser entendida num sentido único, branco, europeu.

A consolidação desta multiplicação de vozes, desta tomada da palavra, começa a se sedimentar com o mais recente passo nas transformações midiáticas, o digital. Com ele não é mais possível pensar a partir das dicotomias emissor-receptor, protagonista-espectador. Potencialmente, todos são produtores e protagonistas. Neste percurso, a cada passo dado, um número maior de pessoas passou a ter acesso aos mecanismos de produção e circulação de saberes, por um custo relativo cada vez mais baixo. A experiência do Ponto de Cultura Ideário nos traz um de inúmeros bons exemplos dessa descentralização da produção, e reprodução, midiática. Vamos para Maceió.

Maceió, capital das Alagoas. Alagoas, terra onde a Serra da Barriga abrigou o maior símbolo da resistência negra à escravidão, o Quilombo dos Palmares, liderado por Zumbi. Estado natal de nossos dois primeiros presidentes, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Já nos dias de hoje, apesar de ter um elevado potencial turístico e ser um dos maiores produtores de gás natural do país, o Estado alagoano apresenta o menor IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Brasil: 0,677. O segundo pior IDH é do Maranhão.

E eis, então, que puxo da memória a recente história política do país, vejo nas manchetes dos jornais os nomes dos homens fortes do Senado brasileiro, amarro as pontas e divago… vago…

Vago e me dou conta que um elemento bastante recorrente na biografia de muitas das figuras emblemáticas da política nacional é a propriedade de, ou ligação familiar com, veículos de comunicação. Às vezes são concessões de emissoras de rádio, às vezes de televisão, outras vezes jornais impressos de grande circulação, muitas vezes tudo isso de uma só vez. Em Alagoas temos alguns exemplos.

E é por esse contexto que as atividades desenvolvidas pelo Ponto de Cultura Ideário, em Maceió, são ainda mais interessantes. Como objetivo do Plano de Mobilização desenvolvido por eles, a partir do encontro do Frutos do Brasil em Salvador, há a produção do vídeo “Ser Jovem em Maceió” que será o fio condutor para debates sobre protagonismo e participação juvenil durante mostras audiovisuais realizadas nas diversas comunidades locais.

Depois de horas em trânsito pelos céus e aeroportos do país, chego em Maceió, vindo de Teresina. Ainda bem que tenho um dia para descansar. Meus contatos aqui são a Graça e o Alisson, que estiveram conosco em Salvador. Sigo para a sede do Ideário. Como fica bem próxima ao hotel onde estou hospedado, vou a pé mesmo. Chego praticamente ao mesmo tempo que a Graça. Alguns dos jovens que estão produzindo o documentário já estão lá. Vamos conversando…

Alisson – “É engraçado que muitas vezes quando a gente sai pra filmar, fazer um filme, e o povo fala, ‘Ah, vocês são da prefeitura?! Diga lá que precisa fazer isso, aquilo outro…’. Daí a gente diz, ‘Não, não, não somos da prefeitura, não!’. Daí eles, ‘Mas mesmo assim, manda eles fazerem isso, aquilo lá… Olha lá! Tá vendo como é que tá!’. A gente fica até constrangido. Daí tem que explicar, ‘A gente é do Ponto de Cultura, fazemos isso, isso, assim…’, explicando o que é que a gente faz”.

Junior – “Como da vez em que a gente foi tirar umas fotos e passou ali pela Grota. Queriam proibir a gente de entrar na Grota pra tirar fotos, pensando que a gente fosse da prefeitura. Daí o pessoal começou a falar, ‘Ah, vocês são do Cícero Almeida [prefeito de Maceió]! Se entrar aqui a gente vai tomar as máquinas [fotográficas] e vai fazer isso e aquilo…’. Quase que não deixaram a gente entrar na Grota”.

Audria – “Também a gente foi fazer as fotografias bem no tempo das eleições. Daí o pessoal falava, ‘Ah, vocês são de político tal, que só promete, promete e não faz nada!’. E a gente explicando que era de uma escola, que tava fazendo fotografia pra aprender”.

Alisson – “E tem também muitas pessoas que se interessam. Como teve um senhor dali que disse, ‘Ah, vocês são de onde?’, ‘Ah, nós somos dali, exibimos filmes e essas coisas…’, ‘Então pode vir aqui exibir os filmes! Se precisar a gente puxa a energia daqui e vocês exibem pro povo’. E pra gente foi uma gratificação muito grande. Porque de um monte de gente, a maioria pensou que a gente era da prefeitura, mas teve uma que se interessou, e isso foi bastante gratificante”.

Junior – “Pois é. Foi uma pessoa que antes de criticar procurou entender o que era”.

Alisson – “E isso pra gente é muito importante. Porque mesmo que seja uma pessoa, já vai ajudar muito”.

E entre estas histórias sobre as dificuldades de se entrar nas comunidades para produzir e exibir os filmes, a vida cotidiana desses jovens vai sendo apresentada.

Geraldo – “Pra você ter uma idéia, eu cresci com uns vinte e cinco garotos. Desses, só uns dez ainda estão vivos. O resto, a droga levou. Com essa falta de ter o que fazer, essa falta de cultura, o pessoal vai pro rumo das drogas. Você vai lá pro viciado e diz, ‘Sai dessa vida aí! Não tá vendo o pessoal do passado que já morreu por conta disso?’. Você fica com o coração partido, é uma coisa quase pessoal”.

Alveriti – “Você vai lá, conversa com ele, mostra pra ele que dá pra fazer coisas diferentes, mas ele nem te escuta. Te ignora. Ou te agride com palavras”.

Carla – “Uma coisa difícil, também, é que parece que as pessoas não se interessam por cultura. Tem muita gente que pensa assim, ‘Ah, mas é cultura, não vai me dar nada, nada vai me dar dinheiro’. Mas cada um tem que saber o que quer ganhar. É muito melhor se envolver com uma coisa produtiva do que ficar aí na rua sem fazer nada, se envolvendo com drogas ou coisas desse tipo. Quando a gente fala, ‘Ah, vamos lá no Ponto de Cultura?’, daí, ‘Ah, eu não vou perder meu tempo pra não ganhar nada, não vou ganhar um emprego’. Por isso que é muito difícil você mobilizar essas pessoas. A gente vai lá, exibe o filme, eles assistem, a gente debate, mas depois parece que eles esquecem”.

Jaqueline – “Uns assistem e ainda criticam. ‘Ôxe, pra que que vocês vêm aqui com isso? Por que não vem aqui pra dar dinheiro?’.

Mesmo com todas estas dificuldades, eles resistem, insistem. Parece que lá no fundo eles compreendem que as carências daquelas comunidades, das quais eles inclusive fazem parte, são tantas e tão primárias que aquelas críticas e barreiras são colocadas como que por um instinto de sobrevivência de quem quer gritar as injustiças de sua situação e quer ter quem ouça. E neste caso são eles, são suas câmeras.

A noite chega e vamos para uma exibição na comunidade Novo Horizonte, ali perto. Cada um deles já sabe o que deve fazer. Uns cuidam da programação que será exibida, outros dos equipamentos de som, do aparelho de DVD e do projetor. Chamam um táxi para levar os aparelhos. Nós vamos a pé.

Novo Horizonte é a comunidade de Geraldo. E é com a mãe dele que conseguem um grande lençol branco que, estendido sobre um varal improvisado no muro de uma das vielas da comunidade, servirá como telão para projeção dos filmes. A movimentação com a montagem dos equipamentos vai atraindo a platéia. Uns sentam à porta do bar, outros em uns bancos de madeira. Na porta das casas as pessoas colocam as cadeiras para fora e vão se acomodando.

Geraldo é o mestre de cerimônia. Ao microfone, ele explica o trabalho deles ali, naquela noite, e dá início à exibição de uma série de curtas-metragem. Entre um e outro filme, breves explicações. Chega o momento de assistirem ao vídeo produzido pelos jovens. As pessoas vão reconhecendo rostos, paisagens. “Olha tu ali!”, sorri uma senhora para seu filho. “Êita, olha aí a casa de Mazinho!”.

De repente, tudo se apaga. Foi alguém que tropeçou no fio que leva a energia elétrica desde o bar até os equipamentos. A equipe logo resolve o problema e a exibição recomeça.

Dezenas de pessoas que poderiam estar dentro de suas casas, assistindo ao telejornal ou à novela. Mas não. Estão ali na rua, se vendo. Jovens da equipe de produção e moradores da platéia de protagonistas, todos com muitas carências, mas, naquele momento, com sua auto-estima lá em cima, dando o seu recado.

Ao final, hora de desmontar tudo e levar de volta para o Ideário. Amanhã nos encontraremos novamente, exceto o Geraldo, que irá trabalhar, e o Alisson, que estará na escola para o último dia letivo de 2008. Isto mesmo: já estávamos quase em abril de 2009 e o ano letivo anterior ainda não havia terminado.

No dia seguinte, vamos visitar as Grotas do Arroz e do Rafael, duas comunidades que também foram palco de algumas das cenas do documentário dos jovens.

Graça – “As Grotas são paisagens que ficam escondidas dentro de Maceió. E na medida em que a gente possibilita ao jovem fotografar, filmar, registrar a própria realidade e nós nos inserimos nisso, os diálogos são estreitados e isso faz com que nós mesmos, enquanto educadores, repensemos a metodologia de trabalho ou alteremos pautas de acordo com o que ocorre durante as visitas e saídas do grupo”.

Conforme vamos subindo pelos entornos das Grotas, as paisagens da cidade vão se revelando. À nossa frente, uma janela de mar, por entre os morros em cujos vales as grotas se escondem. À nossa direita, a orla e os edifícios que a contornam. À nossa esquerda, num ponto ainda mais alto, o lixão Cruz das Almas. Enorme. Repleto de urubus em sobrevôo. Impossível ignorá-lo. Tão destacado, se apresenta e cresce em direção ao céu.

Sobre o lixão, histórias de pessoas que sobrevivem com seus restos. Histórias de loteamento das áreas do lixão para a exploração de seus restos. Histórias de trabalho escravo. Histórias de descaso do poder público. Mas não é só isso.

“Meu nome é Alveriti. Alveriti Junior. E tô tentando mostrar nas minhas edições, nos meus vídeos, a minha visão sobre a nossa cidade. Mostrar os extremos da cidade, onde muitos acham que só tem lixo, só tem bandidos, só tem coisas ruins. Mostrar as coisas boas, mostrar a cultura desses locais, a beleza natural, mostrando o outro lado, que normalmente não mostram. Por mais que existam coisas ruins ao nosso redor, é possível mostrar uma visão diferente. E espero que com essa minha atitude eu consiga modificar o olhar do ser humano, da população, do meu vizinho, levando a alegria e as informações que eles normalmente não vêem. E é isso … o que eu espero é que todos se conscientizem que a gente só pode crescer valorizando o que é nosso. Quero mostrar que a gente tem valor, cara”.

Nesse dia, já à noite, fomos visitar uma das muitas coisas boas escondidas nos extremos da cidade, às quais Alveriti se referiu. O Mirante Cultural, no bairro do Jacintinho. Um bairro popular, bastante estigmatizado pela violência. Não foi o que percebi naquela noite. Só percebi a alegria e a festa das pessoas, expressando sua cultura e se reconhecendo nessa expressão. Tal como os jovens em seu documentário.

Ah, sim! As praias de Maceió são realmente lindas. Nem dá vontade de ir embora. Mas, fazer o quê, né?!

{ Ideário Comunicação, Educação e Cultura Popular }
Rua Padre Luiz Américo Galvão 632, Cruz das Almas – Maceió, AL
www.ideario.org.br

Leia aqui os textos produzidos pelo pessoal do Ideário para a Revista Frutos do Brasil:

NOVOS OLHARES À ARTE DA MOBILIZAÇÃO JUVENIL

Por Graça Cavalcante

O envolvimento com a Educação Popular me levou a vivenciar várias experiências no campo da mobilização social. A formação em Pedagogia me permitiu chegar a lugares e trabalhos que jamais pensei ou planejei concretamente. Sinto que o desenvolvimento de algumas ações reflete impulsos adormecidos na História das lutas diversas de gerações anteriores, da necessidade de continuar um processo que pertence a todos e todas.

Ainda com espírito jovial e engajada frente às questões sociais, envolvo-me em lembranças e perspectivas frente à mobilização de jovens. Por vezes ouço: “a juventude tá perdida”, “os jovens não querem nada”, “não adianta, não tem mais jeito”. Desanimadoras e desafiadoras ao mesmo tempo essas vozes ecoam com freqüência na minha cabeça e no meu coração. O bom é que meus ouvidos estão atentos a outras tantas vozes cujas atitudes exitosas falam ao Nordeste, ao Brasil e ao Mundo o que fazem e como fazem no cotidiano dos mais diversificados lugares onde a Juventude ‘tá antenada’ frente a sua condição na sociedade, sobre as suas especificidades e necessidades urgentes buscando compreender e exigir as Políticas Públicas que visam atender as várias juventudes com suas características regionais e globais.

Com a formação processual de jovens integrada a uma equipe multidisciplinar no Ponto de Cultura Ideário, as imagens e mensagens que permeiam a construção de um processo educativo trabalhando principalmente as subjetividades pessoais e sociais, nos leva a lançar mão da ARTE no campo audiovisual, promovendo ações que envolvam o(a) jovem e a sua comunidade através do registro fotográfico de sua realidade, da desmecanização do olhar ao próprio entorno, da descoberta de técnicas e métodos que busca o envolvimento do público com a construção de uma nova realidade e por conseguinte o envolvimento de outras pessoas.

Esse percurso nos coloca frente a frente com as dificuldades que a juventude de Maceió – AL defronta com relação ao processo histórico de desenvolvimento, dos baixos indicadores no campo educacional escolar, na qualidade de vida comprometida com a falta de segurança, de lazer, de precariedade de moradia e infra-estrutura urbana. Esta realidade nos impulsiona a um trabalho que tem como ‘convite’ à essa discussão a realização de mostras audiovisuais, promovendo a democratização do acesso a este produto de mídia e por consequência à análise de outras mídias que de certa forma influenciam em muito as vidas desses jovens.

As juventudes nessa experiência se reconhecem em imagens comuns através dos registros e recortes feitos por elas mesmas nas comunidades onde residem, identificando o que vale ou que não vale à pena em seus bairros, ou se emocionando ao contribuir para que seus vizinhos tenham oportunidade de ver filmes que não veriam em outro lugar, já que a enorme maioria nunca esteve em um cinema, e se possui aparelho de DVD, está habituada aos produtos impostos pela indústria cultural com seus filmes de ações violentas e shows com músicas e coreografias de forte apelo sexual.

Vejo-me parte integrante e importante desse processo de re-significação do olhar, que obedecendo ao tempo necessário vai mudando a paisagem social das grotas e periferias da cidade de Maceió. Esse diálogo e debate com e para a juventude provoca expectativas positivas com relação às inquietações e movimentos que permeiam o meu ser. Há ainda muito por fazer, mas a persistência e a paciência histórica me impulsiona a continuar mobilizada e mobilizando juventudes e comunidades nos espaços sócio-culturais diversos, fazendo uso das diferentes artes e olhares.

Por José Alisson Gomes

Os jovens de hoje em dia estão atrás de coisas que façam com que eles se sintam emocionados. Muitos desses jovens encontram isso nas drogas: essa é a realidade do país.

Muitos jovens usam drogas como uma tentativa de fugir do que é real, porque para eles esse real é chato, pois não têm nada de interessante para fazer. Mas, existem outras formas de se emocionar. Ajudar outras pessoas, fazer sua parte perante a comunidade também é uma maneira de se emocionar dentro da realidade da comunidade, são as que mais são possíveis.

Na Aldeia do Índio tem um grupo de jovens da igreja que faz diversos tipos de atividades, como canto coral, aulas de violão e um grupo de técnicas vocais. Essa situação contrasta com jovens sentados na frente da igreja utilizando drogas. Eu participo do grupo de jovens que fazem o canto coral. Quando nós convidamos esses jovens, eles acham que nós estamos os intimidando. É muito estranho, pois eu sei que tem muitos deles fazem capoeira e mesmo assim eles não largam as drogas. Parece que não adianta muito. Eu também faço capoeira. Ela me disciplina, me ajuda a saber como agir diante da sociedade e também não deixa de ser uma defesa pessoal.

Quando eu venho para Ideário, eu sinto que eu estou tendo uma ocupação útil para mim e sei que também é para outras pessoas que a gente tenta mobilizar.

Eu acho que as comunidades deveriam ter espaços criativos, de acesso gratuito, para que os jovens se ocupassem ao invés de estarem fazendo coisas erradas, como usar drogas e se reunirem para fazer coisas ruins. É importante que esses espaços sejam feitos por associações de moradores e que elas estejam ligadas umas as outras, para que elas fiquem por dentro do que acontece em cada lugar.

Por Maria Carla Pereira

Mobilização: palavra que muito escuto, mas que pouco vejo sendo praticada, tanto na comunidade quanto na cidade em que moro. Mobilização é raridade. Em todos os lugares escuto comentários sobre nossos problemas como violência, crianças sem aulas, jovens grávidas, nas drogas e no mundo do crime, mas não vejo nem um tipo de movimentação para combater esses problemas.

Jovens que moram na periferia de Maceió deveriam ter oportunidade de realizar alguma atividade produtiva, como tocar um instrumento, fazer atividades esportivas, teatro, oficinas profissionalizantes, mas não têm nenhum incentivo para isso ou para procurarem outros caminhos.

Raras são as ações como as que participo na Ideário que incentivam a comunicação entre jovens das comunidades vizinhas e que nos dá oportunidade de participar de diversas oficinas, como de fotografia e de vídeo, nos mobilizando a olhar nossas comunidades de uma outra forma. Se existissem mais ações como as da Ideário essa realidade poderia ser diferente e os jovens iriam ter mais oportunidades.

Mobilização, como o nome mesmo diz, é movimentar, agir em prol de uma causa, e é isso que falta para que muito jovens vivam melhor.

Eu gostaria muito que existisse uma mobilização mais forte em prol do meio ambiente, que é causa bastante importante. Nós jovens, que somos o futuro do planeta, deveríamos ser os mais interessados neste assunto, mas quase não vejo iniciativas em favor dessa causa que venham, principalmente, da juventude.

Preservar o meio ambiente: essa ação é muito falada, porém pouco praticada.

Ainda tenho esperanças que a violência, os jovens nas drogas e a degradação do meio ambiente sejam pensados e debatidos. Espero que tudo seja resolvido, pois sem movimentação esses problemas não serão vencidos com sucesso. Temos, por isso, que nos mobilizar para conseguirmos resultados positivos. A união faz a força.

Por Geraldo Pereira

Vou tentar falar sobre mobilização juvenil. Segundo o dicionário Aurélio, mobilização é o encontro de pessoas para discutir ou planejar algo para melhoria na sua comunidade ou bairro. Já o adjetivo juvenil é utilizado para caracterizar a fase de crescimento de um ser humano, entre a infância e a adolescência. Ou seja, uma mobilização juvenil é o encontro dos jovens para discutir melhorias para comunidade ou conscientização da situação atual da sociedade, a fim de incentivar a mudança positiva no futuro.

Minha experiência com mobilização juvenil é a realização de um evento no dia das crianças na comunidade Grota do Arroz onde os jovens do Ponto de Cultura Ideário realizaram um festa com música e animação. Eu fiquei responsável por controlar o som. Fui em boa parte do tempo um DJ. Coloquei músicas infantis para tocar. Todas as providências foram tomadas pelos jovens. O palco, as comidas, a decoração, tudo foi feito com a doação de comerciantes do bairro.

Todos os jovens cooperaram com a realização do evento. Alguns arrecadaram brindes e brinquedos para serem distribuídos com as crianças da comunidade durante a festa. Outros se fantasiaram de bruxa. Outros se fantasiaram de princesa. A festa foi bem legal e até saiu num dos maiores jornais da cidade.

Eu estou com uma idéia de fazer um filme sobre minha comunidade. Lá existe um campeonato de futebol organizado pela associação de moradores. Todos cooperam para que ele aconteça. Para participar do campeonato tem que ser morador da comunidade. Os times são bem organizados. Todos são uniformizados e vão atrás de patrocínio pelo bairro. Vou tentar mobilizar os meus colegas para fazer um filme sobre esse campeonato e também pretendo, assim como o pessoal que organiza os jogos, ir atrás de patrocínio pelo meu bairro. Gostaria de mostrar o filme pronto lá, na Novo Horizonte, e nas comunidades vizinhas.

PorJaqueline Félix

Eu acho que mobilização juvenil é ação em busca de aprendizados para passar não só para os jovens e sim para comunidade em geral.

Eu vejo essas ações através das músicas, manifestações, palestras e outras ações culturais que são muito importantes, pois as pessoas não dão muito valor à cultura, pois existem muitos projetos como o “Acenda uma Vela”, métodos de comunicação que mostra o presente, o passado e o futuro, pois temos que aprender vendo e ouvindo.

Nunca podemos desistir de nossos ideais, pois é com os erros e acertos que encontramos a saída de um novo mundo.

Eu aprendi que tudo na vida tem saída, tudo é possível, basta tentar e acreditar. A vida é um aprendizado.

Muitas pessoas aprendem e tentam passar, que a vida do crime e das drogas não leva a lugar nenhum e sim a morte.

A evolução do aprendizado é muito importante, pois a gente aprende a dar valor, que não deve se ter tudo de maneira fácil e sim com muito trabalho e sinceridade. Também tem pessoas que acham que pôr filhas no mundo, é fácil, sim, difícil é criar e educar, principalmente quando são famílias que moram na rua e passam frio e fome, mas hoje já existem ações para ajudar essas famílias que precisam de auxílio na renda familiar como Bolsa Família, PETI e outros, mas não chegam a todos que realmente precisam.

Essa é uma das conquistas de todas as pessoas que acreditam na mudança. Um fato importante na mobilização são as campanhas contra a gravidez na adolescência, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, HIV, a Lei Maria da Penha, o direito da mulher no trabalho, etc.

Por Neilton dos Santos Ferreira Júnior

Bom, meu nome é Neiton dos Santos Ferreira Júnior, conhecido pelos amigos por Júnior ou Juninho. Eu faço parte de dois Pontos de Cultura aqui em Maceió que são o Ponto de Cultura quilombo Cultural dos Orixás e o Ponto de Cultura Ideário. O Ponto de Cultura Quilombo Cultural dos Orixás promove atividades de origem da cultura africana, tais como: Capoeira, grupos de dança e toques de origem africana, candomblé, etc.

Eu junto com vários amigos fazemos várias mobilizações em prol de um ideal que é lutar pelos direitos do nosso povo, ou seja, o povo de origem africana.

Como é de nosso costume todo mês de novembro eu e outra pessoas da religião africana (candomblé), nos organizamos para subir a Serra da Barriga em União dos Palmares – AL para realizar algumas cerimônias religiosas em homenagem a Zumbi. Só que no último mês de novembro o órgão que libera as verbas para que possamos ir até a serra não quis liberar a mesma, porque assim, a prefeitura eu acho, faz um orçamento e depois manda o dinheiro para o órgão que é a Fundação Palmares, que distribui a verba para as Casas de Axé, só que quando chegou na véspera do dia a Fundação só queria liberar parte da verba então organizamos uma mobilização com todas as Casas de Axé, em uma praça localizada no centro da cidade, chamada Praça Palmares, lá fizemos chamar atenção da imprensa, do governo e até mesmo da própria Fundação, para que pudéssemos reivindicar nossos direitos.

Agora estamos esperando o próximo mês de novembro para ver se dessa vez eles tomaram jeito, do contrário voltaremos a fazer protestos e mais protestos.

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