Reino da Garotada

Reino da Garotada de Poá
Ponto de Cultura Memórias do Olhar
Rua Pe. Eustáquio, 347 – Poá, SP
www.reinodagarotada.org.br

Por Simone Gadelha*

Poá, um plano para trazer arte e cultura para a cidade

Numa cidade desprovida de equipamentos culturais, sem uma sala de cinema, teatro, música, com um grande número de jovens em situação de exclusão social, que nunca visitaram uma exposição, nem assistiram a documentários, a experiência da arte é mais que necessária. Abrir espaço, refletir e procurar a resposta para o porquê desta situação foi o norte do Plano de Mobilização do Ponto de Cultura Memórias do Olhar, sediado no Reino da Garotada, em Poá, SP, a 40 km da capital.

A principal ferramenta utilizada foi a linguagem audiovisual, além da velha e fundamental comunicação corpo a corpo. Exibimos filmes (curtas e longas) e documentários, estimulando o início das atividades de um cineclube, que aos poucos vai se impondo com imagens de todo um circuito alternativo, avesso a mídia de massa (leia-se TV), única via de acesso da maioria dos jovens de Poá ao cinema. E estimulando a preservação da memória, pois o Reino da Garotada fez 65 anos e tem muita história para contar.

Produções como da Casa de Cinema de Porto Alegre, do Tempo Glauber e do circuito do Festival do Minuto – que abrigamos – foram exibidas para cerca de 1.000 pessoas, em várias sessões distribuídas entre o público infantil, jovem e adulto. E o mais animador: pudemos exibir nossas primeiras produções de vídeo, em estréias promovidas tanto nas instalações do Reino da Garotada, quanto em espaços culturais da cidade, como o Auditório Taiguara, da Secretaria de Cultura de Poá. O convite partiu da própria Prefeitura, mostrando que nossa mobilização está ecoando pela cidade.

A relação com as escolas de Poá e a visita à Câmara Municipal também marcaram nossas ações de busca por mudanças, de novas oportunidades de acesso à cultura. Aos poucos, vamos obtendo respostas para as questões iniciais do nosso Plano de Mobilização, percebendo que a transformação passa por um conjunto de atitudes que passamos a adotar – o intercâmbio de atividades (promovemos mediações com alunos de escolas da comunidade de Poá), a troca de idéias, o contato direto com os responsáveis pela administração dos recursos públicos.

O trabalho no projeto Frutos do Brasil começou com a participação do educador William Ferreira e da aluna Giulia Martins no evento de Atibaia. E se multiplicou com a participação entusiasmada dos alunos do Ponto de Cultura Memórias do Olhar, que montaram a I Exposição Audiovisual, constituída de 40 fotografias e 18 vídeos, sob o tema “auto-retrato”, numa abordagem para refletir sobre si mesmo e seu papel no grupo. Também se dispuseram a avaliar o perfil da cultura na cidade, criticando, debatendo e propondo soluções. Os primeiros frutos foram colhidos rapidamente. Que a safra não pare de crescer!

*Simone Gadelha é Coordenadora do Ponto de Cultura Memórias do Olhar, do Reino da Garotada, em Poá, SP

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